![]()
Humpf.
O que isso quer dizer?
Eu não pretendo, mas acho que já estou suficientemente convencido pela ideia de que um dia isso vai acontecer.

A sintonia e interação que eles mantiveram na noite anterior e naquela manhã foram simplesmente incríveis e surreais. Esboçando um sorriso ainda trêmulo pela plenitude do amor, pediu silenciosamente que a consumação de seus sentimentos românticos fosse sempre daquela forma. Seu coração bateu vertiginosamente contra seu seio esquerdo e um arrepio colossal lhe percorreu a espinha até chegar à raiz de seu crânio quando o rapaz suspirou palavras apaixonadas. Parecia que estava imersa na água cristalina dos olhos de Henri e sua respiração ficava cada vez mais tênue. Ainda sobre o corpo do primo, esperou seu fôlego estabelecer um ritmo menos alucinado enquanto deslizava os dedos pelas costas úmidas do jovem. Passado um tempo agradavelmente infinito, Nina, num movimento rápido e cheio de graça deitou-se no sofá de couro e trouxe Henri consigo, apertando seu corpo contra o dele para que pudessem se instalar confortavelmente no longo estofado. Sua expressão era um tanto engraçada, parecia atônita com o que havia acabado de lhe ocorrer, com as contrações apaixonadas de seu coração. Seus lábios estavam entreabertos deixando que seu hálito fresco e prazeroso inundasse a pele de Henri, que estava coberto pelas trevas artificiais. Entrelaçou suas pernas finas, porém, delineadas às do rapaz e acarinhou seu rosto orvalhado. – Acho que deveríamos fazer isso todos os dias. – murmurou franzindo o cenho e sorrindo divertidamente com a própria insanidade. Percebeu naquele instante que eles faziam um belo casal. Eram muito próximos um do outro, porém, sabiam perfeitamente como manter suas individualidades intactas, o que é extremamente necessário em qualquer tipo de relacionamento e, agora, compreendiam-se muito bem na finura do amor como se tivessem cruzado oceanos de tempo ensaiando movimentos repletos de voluptuosidade.
Após o extremo de prazer Henri permaneceu deitado respirando intensamente e sentindo os lábios ficarem secos pela corrente de ar que produzia. Sempre estivera aprisionado a um inútil corpo vazio, consciente e calculista. Contudo, este era passado. Seu desejo de viver e sua tenacidade o fizeram ressuscitar, o fizeram renascer. Seus braços caíram do corpo de Nina se recostando no sofá úmido enquanto sentia as curvas maravilhosas da jovem ainda percorrerem maliciosas por seu corpo. – Sou a favor disso. – Disse, também cômico, tentando esboçar um sorriso ainda que sua respiração ofegante o asfixiasse durante a tentativa. Passado o tempo colocou as mãos na cintura da jovem e a beijou com o máximo de paixão. Era um beijo apaixonado, mas que exibia uma entristecedora saudade. – Acho que devemos voltar. – Falou com o desânimo impregnado na própria voz. Estava tudo muito escuro mais ainda conseguia ver o brilho sereno dos olhos da garota sobre as sombras vertiginosas do salão. Mesmo que sua frase deixasse claro que deveriam se separar nem por um instante se movimentou para longe da moça. Queria que esta, por sua vez, ficasse com a parte mais difícil da separação.